A MAIOR BRONCA QUE JÁ LEVEI

Por Luiz Eduardo Gasparetto
Não sei quem escreveu, mas provavelmente você já deve ter escutado ou lido esta história. Mas sempre vale a pena repeti-la. E ao final reflita: como aluno ou como profissional, você faz parte dos 5% ou faz parte do resto?

Tínhamos uma aula logo após o feriado da semana da Pátria. Como a maioria dos alunos havia viajado aproveitando o feriado prolongado, todos estavam ansiosos para contar as novidades aos colegas.

Um professor entrou na sala e percebeu que iria ter trabalho para conseguir silêncio. Com grande dose de paciência tentou começar a aula, mas você acha que a turma correspondeu? Que nada. O professor tornou a pedir silêncio educadamente. Não adiantou, ignoramos a solicitação e continuamos na conversa. Foi aí que o professor perdeu a paciência e deu a maior bronca que eu já presenciei. Veja que ele disse.

“Prestem atenção porque eu vou falar isso uma única vez”, disse, levantando a voz e um silêncio se instalou em toda a sala e o professor continuou.

“Desde que comecei a lecionar, há muito anos, descobri que nós, professores, trabalhamos apenas 5% dos alunos de uma turma. Observei que, de cada cem alunos, apenas cinco são realmente aqueles que farão alguma diferença no futuro; apenas cinco se tornam profissionais que contribuem de forma significativa para melhorar a qualidade de vida das pessoas.

Os outros 95% servem apenas para fazer volume; passam pela vida sem deixar nada de útil. O interessante é que esta porcentagem vale para tudo. Se vocês prestarem atenção notarão que de cem garçons, apenas cinco são excelentes; de cem motoristas de táxi, apenas cinco são verdadeiros profissionais.

É uma pena não termos como separar estes 5% do resto, pois se isso fosse possível eu deixaria apenas os alunos especiais nesta sala e colocaria os demais para fora, então teria o silêncio necessário para dar uma boa aula e dormiria tranqüilo sabendo ter investido nos melhores. Mas, infelizmente, não há como saber quais de vocês são estes alunos. Só o tempo vai mostrar isso.

Portanto, terei de me conformar e tentar dar uma aula para os alunos especiais, apesar da confusão que estará sendo feita pelo resto. Claro que cada um de vocês sempre pode escolher a qual grupo pertencerá. Obrigado pela atenção e vamos à aula de hoje”.

Nem preciso dizer o silêncio que ficou na sala e o nível de atenção que o professor conseguiu após aquele discurso. A bronca tocou fundo em todos nós, pois minha turma teve um comportamento exemplar em todas as aulas durante todo o semestre; afinal quem gostaria de, espontaneamente, ser classificado como fazendo parte do resto?

Hoje não me lembro muita coisa das aulas, mas a bronca do professor eu nunca mais esqueci. Para mim, aquele professor foi um dos 5% que fizeram a diferença em minha vida. De fato, percebi que ele tinha razão e, desde então, tenho feito de tudo para ficar sempre no grupo dos 5%, mas, como ele disse, não há como saber se estamos indo bem ou não; só o tempo dirá a que grupo pertencemos.

Contudo, uma coisa é certa: se não tentarmos ser especiais em tudo que fazemos, se não tentarmos fazer tudo o melhor possível, seguramente sobraremos na turma do resto.

 

Categories: Carreira

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