Cardeais querem “Jesus com MBA” no comando da Igreja

Este é o título de um artigo publicado na National Catholic Review, de autoria de Thomas Reese, padre jesuíta e teólogo, pesquisador do Centro Teológico Woodstock na Universidade de Georgetown (EUA) e ex-diretor da revista católica “America”, traduzido por Paulo Migliaci.

Em resumo, ele fala da necessidade da Igreja em ter em seu comando um Papa com MBA. E por quê? Porque, segundo o autor, nos dias de hoje não basta conhecer os Evangelhos, mas é necessário pregá-lo de maneira que seja facilmente compreensível por todos.

Isso é verdade, principalmente quando lembramos dessa juventude tecnológica denominada de geração Y, que tem características e linguagem toda própria e que, percebemos, está se afastando da Igreja, muitas vezes por acha-la “fora de moda”.

E, acima de tudo, ele precisa ser um bom administrador, capaz não só de “colocar ordem na casa” (veja os escândalos que surgiram referentes, por exemplo ao Banco do Vaticano), mas também de revisar toda a burocracia de uma “empresa” (o Vaticano) imobilizada por séculos de “façamos assim porque sempre foi assim”. É preciso delegar mais e, principalmente, instituir com mais força o “empowerment” dando mais poder para que as pessoas possam realizar mais facilmente seu trabalho.

Não é tarefa fácil e, por isso, o autor sugere que, se não encontrarem um cardeal com MBA, que se faça o que São Bento sugeriu a um mosteiro que passava pela mesma situação.

Na época de São Bento, o fundador da ordem beneditina, um mosteiro enfrentou dilema semelhante e escreveu ao santo afirmando que havia divisão sobre a escolha de um abade (o primeiro “executivo” do mosteiro). Eram três candidatos: um monge renomado por sua santidade; um teólogo brilhante; um homem prático.

São Bento respondeu em uma carta: “Que o homem santo ore pelos monges, que o teólogo os ensine e que o homem prático os administre“. Embora o papa não seja um abade, a recomendação não deixa de ser sábia. Para administrar é preciso ser prático e ter experiência nessa função de gestão.

E por que o autor dá a sugestão de alguém com MBA para Papa? Porque é nos cursos de MBA que se aprofunda o conhecimento da gestão de organizações. Apesar de ser também um curso de pós-graduação, o MBA tem como característica o aprofundamento nos diversos aspectos da função de gestor, de executivo, enquanto a pós-graduação lato sensu tem como objetivo aprofundar apenas um aspecto de determinada área.

Por isso, para dirigir o Vaticano, a maior empresa do mundo, mais antiga e com maior número de colaboradores ou então para dirigir qualquer outra empresa, sugere-se alguém com MBA. O egresso desse curso é um administrador, um gestor, uma pessoa prática, que aprofundou seus estudos através de um MBA e que, por isso, tem mais facilidade de entusiasmar os outros, corrigir rumos, delegar, controlar e avaliar os resultados.

É uma pessoa assim que a Igreja e qualquer outra organização necessitam.

Categories: Gestão, todas

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