por PAULINE MACHADO

Matéria publicada na revista Liderança em Novembro 2010

Um rapaz chamado Julio, por indicação de um colega dos tempos de faculdade, foi surpreendido por um telefonema no qual o convidaram para uma entrevista de emprego em uma multinacional. A vaga era para ocupar um cargo superior ao que ele ocupava há anos numa pequena empresa do mesmo segmento. Ansioso e entusiasmado, Julio se manteve atento a todos os detalhes: escolheu seu melhor terno, ensaiou um simpático discurso de apresentação e compareceu à entrevista.

Atraído pela remuneração bem mais elevada que a atual e pelo envolvente plano de carreira, ele não hesitou em se desligar da empresa para dar início a uma nova fase de sua trajetória profissional. No entanto, o que Julio não sabia era que existia uma face oculta daquele emprego que não havia sido revelada na entrevista.

Detalhes decisivos e fundamentais que não foram mencionados – um ambiente laboral totalmente tóxico, níveis de pressão considerados absurdos até mesmo pelos mais experientes profissionais e um antigo histórico de elevado turnover da empresa – faziam daquele cargo mais uma armadilha que uma oportunidade de upgrade profissional.

Com pouco mais de seis meses em seu novo emprego, Julio já não dormia tão bem como antes, desenvolveu uma irritação contínua, tanto no trabalho quanto em casa, e passou a fazer parte da estatística de profissionais que não deram certo naquela empresa. Todos esses elementos, os revelados e os ocultados no momento da entrevista, constituem um conjunto de características que dizem respeito ao clima organizacional.

Quem não conhece alguém que já tenha passado por essa situação? Quem nunca teve dificuldades em se relacionar num ambiente de trabalho desagradável? É o que iremos tratar aqui.

Entendendo o ambiente organizacional

“Podemos entender como clima organizacional a satisfação ou insatisfação dos colaboradores em relação aos resultados que a empresa oferece em termos de valores, política, usos e costumes, isto é, tudo o que acontece dentro da organização e leva à concordância ou discordância das pessoas”, explica Luiz Eduardo Gasparetto, professor universitário e autor do livro Pesquisa de clima organizacional: o que é e como fazer. “É simples, se as pessoas concordam e se identificam com os valores, o clima dentro da empresa tende a ser positivo. Se não aprovam e se há desentendimento, o clima passa a ser negativo. Isso pode acontecer dentro da empresa como um todo ou em grupos, departamentos”, avalia.

Além de fatores internos como a avaliação dos funcionários, o clima organizacional sofre a influência de fatores externos e da cultura da empresa, que nada mais é que o modo como ela deseja que as coisas aconteçam.

“Normalmente, a cultura está diretamente ligada à liderança, ao dono da empresa, aos valores dele. Se for uma pessoa muito rígida, isso será transferido para a organização, que acabará tendo esse valor. A cultura é isso e o clima é derivado dela. Se a empresa tem uma boa cultura e as pessoas se identificam, o clima será positivo”, justifica Gasparetto.

O papel da liderança – seja pelo dono da empresa ou pelo gestor de área – é um fator muito delicado, pois aparece nas pesquisas como um dos maiores causadores de interferência no clima organizacional. “Hoje, os profissionais estão muito mais preparados do que antes e, consequentemente, bem mais exigentes. Muitos vão para a faculdade e lá têm a oportunidade de questionar e, naturalmente, levam isso para dentro da empresa em que trabalham. Já não funciona mais a lógica do ‘manda quem pode, obedece quem tem juízo”.

“As pessoas têm a oportunidade de questionar e argumentar, só que boa parte dos nossos gestores ainda está na época antiga. Eles não conseguem entender esse tipo de coisa – há então um choque de gerações. Por se tratar de uma cultura da liderança que se desenvolveu ao longo dos anos, temos o costume de dizer que só existem duas formas de você mudar isso: ou você muda a maneira de pensar das pessoas ou muda as pessoas”, recomenda.

Categories: Carreira, Planejamento

4 Responses so far.

  1. Professor Gasparetto,

    Parabenizo pela inciativa da Gama Filho em disponibilizar um blog para
    discussão com o senhor como resposavel do mesmo pois nos dá a
    oportunidade de trocarmos ideias objetivando nos desenvolvermos cada vez
    mais para que construamos um mundo melhor, nao apenas profissional mas
    que faça a diferença na vida pessoal de cada um, uma vez que nao
    podemos dissociarmos o profissional do pessoal.
    Diante desta minha visao de mundo, peço autorização para postar a
    historia abaixo que tao bem define a qualidade de vida que nos faz
    produzirmos mais porque estamos felizes com o que fazemos e com quem
    convivemos o que eu acredito corroborar com seus textos postados, a seguir:
    Um consultor estava dando uma palestra sobre gerenciamento de tensão:
    Como controlar e administrar os problemas do dia-a-dia no trabalho e
    fora dele. De repente, ele levantou um copo d’água e perguntou para a
    platéia:
    – Quanto vocês acham que pesa este copo d’água?
    As respostas variaram de vinte a quinhentos gramas. O especialista,
    então, fez o seguinte comentário:
    – Não importa o peso absoluto. Tudo depende do tempo que fico segurando
    o copo d’água.
    Se eu seguro por um minuto, tudo bem.
    Se fico segurando durante uma hora, meu braço vai doer.
    Se eu ficar com o copo na mão o dia inteiro, vocês vão ter que chamar
    uma ambulância…
    O peso é o mesmo, mas quanto mais tempo passo segurando o copo, mais
    pesado ele vai ficando…
    Se a gente carrega as nossas cargas de preocupação o tempo todo, mais
    cedo ou mais tarde não vamos mais ser capazes de suportá-las porque o
    fardo vai ficar cada vez mais pesado.
    O que a gente tem que fazer é deixar essa carga em algum lugar e
    descansar um pouco, antes de voltar e carregá-la novamente.
    Experimente deixar o peso do trabalho em algum canto antes de voltar pra
    casa.
    Aproveite ao máximo o tempo precioso que você tem com a sua família e
    com os seus amigos.
    Cada momento desse, vivido com leveza e descontração, é único!
    E deixa a vida muito mais leve e com vontade de se viver!!!
    Um forte abraço e mais uma vez parabéns pelo blog

  2. Professor Gasparetto,

    Parabenizo pela inciativa da Gama Filho em disponibilizar um blog para
    discussão com o senhor como responsavel do mesmo pois nos dá a
    oportunidade de trocarmos ideias objetivando nos desenvolvermos cada vez
    mais para que construamos um mundo melhor, nao apenas profissional mas
    que faça a diferença na vida pessoal de cada um, uma vez que nao
    podemos dissociarmos o profissional do pessoal.
    Diante desta minha visao de mundo, peço autorização para postar a
    historia abaixo que tao bem define a qualidade de vida que nos faz
    produzirmos mais porque estamos felizes com o que fazemos e com quem
    convivemos o que eu acredito corroborar com seus textos postados, a seguir:
    Um consultor estava dando uma palestra sobre gerenciamento de tensão:
    Como controlar e administrar os problemas do dia-a-dia no trabalho e
    fora dele. De repente, ele levantou um copo d’água e perguntou para a
    platéia:
    – Quanto vocês acham que pesa este copo d’água?
    As respostas variaram de vinte a quinhentos gramas. O especialista,
    então, fez o seguinte comentário:
    – Não importa o peso absoluto. Tudo depende do tempo que fico segurando
    o copo d’água.
    Se eu seguro por um minuto, tudo bem.
    Se fico segurando durante uma hora, meu braço vai doer.
    Se eu ficar com o copo na mão o dia inteiro, vocês vão ter que chamar
    uma ambulância…
    O peso é o mesmo, mas quanto mais tempo passo segurando o copo, mais
    pesado ele vai ficando…
    Se a gente carrega as nossas cargas de preocupação o tempo todo, mais
    cedo ou mais tarde não vamos mais ser capazes de suportá-las porque o
    fardo vai ficar cada vez mais pesado.
    O que a gente tem que fazer é deixar essa carga em algum lugar e
    descansar um pouco, antes de voltar e carregá-la novamente.
    Experimente deixar o peso do trabalho em algum canto antes de voltar pra
    casa.
    Aproveite ao máximo o tempo precioso que você tem com a sua família e
    com os seus amigos.
    Cada momento desse, vivido com leveza e descontração, é único!
    E deixa a vida muito mais leve e com vontade de se viver!!!
    Um forte abraço e mais uma vez parabéns pelo blog

    • Gasparetto disse:

      Obrigado pela sua participação Rosane.
      Sua estória é interessante e nos faz lembrar, também, que tudo é muito relativo. Depende do momento pode ser mais tranquilo opu mais tumultuado.
      Aliviar um pouco a carga em algum lugar para descansar e voltar a carregá-la depois é uma boa idéia. Difícil só é achar um lugar para deixá-la.
      Continue participando, será sempre um prazer ter você por aqui.
      Um abraço
      Gasparetto

  3. Claudia Souza disse:

    Olá professor!
    Parabenizo pela garra e determinação, pelo exemplo que nos passa em sala de aula como professor e profissional, pessoas como vc faz a diferença, ajuda na construção de um mundo melhor, onde podemos crescer como pessoas e profissionalmente, pensando também em qualidade de vida.
    Agradeço imensamente todos os ensinamentos, e tenho certeza que fez valer para uma vida inteira, ser sua aluna, porque tudo ficará como exemplo de vida.
    Aprendi com vc que nunca é tarde para sairmos da “Zona de Conforto” e a aceitar uma mudança em nossa vida, seja ela pessoal ou profissional, até pq elas andam lado á lado, aprendi que devemos saber o momento certo para cada decisão. Problemas todos nós temos, o importante é saber “administrá-los”.
    A sala do 4º semestre de RH FMU tira o chapéu para vc mestre.
    Um super bjo no seu coração

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