Decisão em Grupo – Qual Método Utilizar?

Por Luiz Eduardo Gasparetto

 

Uma dúvida que sempre persiste na cabeça do gestor quando necessita tomar uma decisão em grupo: qual método utilizar?

Para esclarecer a dúvida, temos que analisar os métodos de decisão em grupo mais utilizados e entender como cada um funciona. Primeiramente, é bom dizer que não existe um método de decisão em grupo que seja o melhor, cada um tem sua utilidade se utilizado no momento certo. Cabe ao gestor escolher o método mais apropriado de acordo com o tempo disponível e o tipo de grupo que participará da decisão.

DECISÃO POR FALTA DE REAÇÃO DOS PARTICIPANTES

Acontece com freqüência e funciona de maneira simples. Dentro do grupo alguém sugere uma idéia e ninguém reage a ela. Com isso a idéia não é debatida e é abandonada. Houve uma decisão do grupo que, silenciosamente, não a aprovou. E assim se vai de idéia em idéia até que uma surge, é debatida e aprovada. As idéias não debatidas foram simplesmente abandonadas, não explicitamente, mas por falta de uma reação mais direta das pessoas.

Acontece muito, por exemplo, em reuniões de condomínio, onde uma proposta é colocada, ninguém a discute e se passa para outra idéia, deixando de lado algumas idéias por falta de reação das pessoas.

DECISÃO PELO USO DA AUTORIDADE DO GESTOR

Aqui quem toma a decisão é quem tem autoridade para isso. O grupo é convidado para dar opiniões, sugestões, mas na hora de decidir a decisão compete ao gestor.

Isso não é um grande problema, desde que o gestor tenha deixado claro para os participantes da reunião que eles estão ali para opinar e sugerir, mas não para decidir. Mas se o gestor pretende “enganar” os participantes dando a eles a impressão que decidirão e depois, na hora “h”, quem decide é ele, as pessoas se sentirão enganadas e não acreditarão mais na palavra do gestor.

DECISÃO PELA MINORIA

A minoria – uma ou algumas pessoas – também decide algumas vezes, e isso acontece principalmente quando o grupo não tem uma reação explicita a uma idéia apresentada (falta de reação). Várias técnicas podem ser utilizadas para esse fim. Por exemplo: a pessoa que decide começa dando a própria opinião e ao final, apesar de ninguém concordar ou discordar (falta de reação), prevalece a opinião dele.

Em outros casos, ele concorda com a opinião isolada de um participante, os dois passam a conversar sobre ela enquanto os demais permanecem calados e não dão opinião. Ai, quem está comandando a reunião informa que a idéia (que é da minoria) está aprovada porque ninguém foi contra.

DECISÃO POR VOTAÇÃO OU A MAIORIA VENCE

Apesar de ser um método considerado muito bom por grande número de pessoas, principalmente pela sua rapidez, muitas vezes ele não funciona bem e traz problemas.

Por quê? Se dizemos que a maioria “ganha” temos que considerar que a minoria “perde”. E isso, para quem está no grupo “perdedor” pode levar a ressentimentos ou falta de comprometimento com a decisão. O “perdedor” sempre vai achar que não teve tempo suficiente para apresentar sua proposta ou então que já existia uma idéia preconcebida contrária à sua idéia e muitas outras coisas.

E na próxima vez ele não se incomodará mais em analisar as idéias apresentadas, mas tentará fazer sua idéia prevalecer, mesmo que não seja a melhor, porque ele não que “perder” de novo. Se a decisão tem que ser tomada muito rapidamente este método funciona, mas mesmo assim pode causar ressentimentos.

DECISÃO CONSENSUAL

O consenso é um método derivado da votação ou maioria, mas aperfeiçoado. Aqui, as pessoas têm a oportunidade e tempo suficiente para colocar sua idéia e para tentar convencer as pessoas que ela merece o apoio. Somente depois é que se vai para a votação. Mas ai, o “perdedor” sente que teve todas as chances de expor sua idéia. Assim, a probabilidade é que diminua sua insatisfação e que ele passe a apoiar a idéia escolhida pela maioria.

DECISÃO POR UNANIMIDADE

Considerada a decisão perfeita, quando todos concordam com uma idéia, pode na verdade não ser tão perfeita assim. Basta lembrar uma frase do jornalista e escritor Nelson Rodrigues: “a unanimidade é burra”.

O que ele pretendeu dizer com essa frase? Que muitas vezes a unanimidade apenas representa a falta de debate, a falta de novas idéias e até certa preguiça mental, e por isso a idéia é apoiada por todos. Alem disso, para a maioria das decisões o consenso já é suficiente, não sendo necessária a unanimidade.

Se você é um gestor pense um pouco nos vários tipos de decisão em grupo e veja qual deverá utilizar em determinada situação.

Categories: Gestão, Liderança, todas

Leave a Reply


*