MOTIVAÇÃO OU ESTÍMULO?

Por Luiz Eduardo Gasparetto

A motivação nas organizações está passando por uma visível e perigosa crise.

Um estudo realizado pela SERAP Desenvolvimento Organizacional em diversas empresas confirmou que 70% do pessoal que trabalha nos mais diversos cargos nas empresas pesquisadas está menos motivado hoje do que estava há algum tempo. Dos colaboradores pesquisados, 60% afirmaram que fazem apenas o necessário para não serem demitidos. Situação terrível.

Isto é fácil de ser percebido. Basta caminhar pela organização em dois momentos diferentes: às 14, 15 ou 16 horas, durante o horário de trabalho, e verificar que boa parte dos colaboradores apresenta um olhar perdido, falta de energia, uma verdadeira preguiça física e mental para realizar suas tarefas.

Estão distantes, distraídos, pouco envolvidos com o trabalho, procurando fazer com que o tempo passe mais rápido. A consulta ao relógio é uma constante, mas o relógio parece que anda para trás ou que parou e o horário de saída parece ficar cada vez mais distante. Mais do que um sacrifício, aquelas horas de trabalho parecem ser, para eles, um verdadeiro tormento. Alguns procuram preencher o tempo acessando as redes sociais, respondendo e-mails pessoais ou então navegando em sites diversos.

Mas no horário da saída a situação muda radicalmente e aqueles mesmos colaboradores, antes estavam desanimados, mostram uma alegria e uma energia não vistas durante o expediente. Todos animados, alguns indo para o clube, outros para a faculdade, outros para encontrar os amigos ou a namorada ou namorado. E a pergunta é inevitável: onde estava toda essa energia e motivação há algumas horas?

Percebe-se então que o problema não está nos colaboradores. Nossos trabalhadores não são preguiçosos ou indolentes, mas na verdade eles não estão encontrando, dentro da organização, condições para realizarem seus anseios, sonhos e desejos e com isso se motivarem para o trabalho.

E boa parte dessa responsabilidade é dos gestores que não se envolvem com seus subordinados, não procuram descobrir quais suas necessidades insatisfeitas e, por isso, não conseguem criar ambientes e condições “motivadoras” para o trabalho.

Boa parte ainda confunde motivar com estimular e o máximo que consegue fazer é acenar com alguns estímulos para seus subordinados, achando que com isso poderão “motiva-los”. Prometem aumentos ou promoções, dão alguns benefícios, mas com isso conseguem apenas estimular e não “motivar”.

E o estímulo pode até funcionar, mas apenas por algum tempo. Logo o desânimo e a desmotivação voltam. E ai, o que vai fazer o gestor? Dar novamente novo estímulo e assim por diante, indefinidamente?

Se acharem que essa é a solução com certeza não irão solucionar o problema.

Categories: Liderança, todas

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