Planejamento Estratégico ou Pensamento Estratégico?

Por Luiz Eduardo Gasparetto

Na verdade, estes dois assuntos do título representam momentos bem distintos no trabalho de planejar ações estratégicas dentro da organização.

Quando falamos em pensamento estratégico estamos pensando numa tarefa que é de responsabilidade exclusiva da alta administração da empresa e que objetiva prepará-la para o futuro. O pensamento estratégico nada mais faz do que refletir os desejos da alta administração no que diz respeito aonde ela quer que a empresa esteja dentro de um determinado tempo. E pensar hoje na empresa de amanhã.

Como o nome diz, é uma atividade estratégica, isto é, não tem nada de tático ou operacional nela. Trata-se no pensamento estratégico de definir para onde a empresa vai, mas não como chegar lá. Isso é responsabilidade do planejamento estratégico propriamente dito, realizado pelos níveis gerencial e operacional da empresa.

O pensamento estratégico é composto basicamente dos seguintes passos:

– definição do negócio da empresa (definição ampla e restrita);

– definição (ou revisão quando já existem) dos valores da empresa, que

nortearão as ações para a realização da Visão);

– definição da Missão e da Visão (esta última com data estabelecida para ser

realizada);

– estabelecimento da vantagem competitiva da empresa (que irá diferencia-la

dos concorrentes).

Essas definições estratégicas só podem ser feitas mesmo pela alta administração, porque compete somente a ela dizer aonde ela quer que a empresa chegue.

Mas o pensamento estratégico nada é do que um conjunto de idéias, desejos e intenções que exigem de uma implementação para sua realização. Isso se dá através do planejamento estratégico propriamente dito.

Esse planejamento é composto de duas etapas:

a)   definição das táticas, isto é, dos planos de ação que irão fazer com que o pensamento estratégico se realize. Essa tarefa é de responsabilidade da média gerência e é composta de objetivo, metas (quantificadas), prazo de realização e programa de atividades, isto é, o que faremos para realizar o objetivo e atingir a meta. Sem um programa de atividades o planejamento fica capenga, isto é, se torna algo cuja realização dependerá do imponderável: se não chover, se Deus ajudar etc.

b)   estabelecimento dos objetivos operacionais pela supervisão. Cada etapa do programa de atividades definida nas táticas se torna um novo objetivo com meta, prazo, definição de quem, quando e como será feito o trabalho.

Com isso, o planejamento estratégico vai se realizando e realiza também o pensamento estratégico.

Depois de viver um período em ascensão, como uma atividade importante nas organização, o planejamento estratégico viveu um período de ostracismo durante a alta inflação do pais. Fazer um planejamento mesmo a curso prazo era algo muito difícil e, na verdade, quase inútil, porque as variáveis eram tantas e as mudanças tão rápidas que qualquer planejamento com prazo um pouco mais longo logo se tornava obsoleto.

Com a estabilização financeira e controle da inflação, retorna a planejamento estratégico, que passa a ser uma ferramenta muito importante para definir pos rumos da organização num mercado cada vez mais competitivo.

Categories: Gestão

One Response so far.

  1. Tainah Veras disse:

    Excelente texto; realmente é importante diferenciar os pontos estratégicos das atividades táticas e operacionais, ressaltando que ambas são essenciais para a otimização de resultados. E como fazer isso? É importante envolver toda a empresa em um universo de melhoria contínua, focado na execução. Nesse sentido, sugiro conhecer o trabalho do Great Group, empresa de Gestão Empresarial focada em potencializar ideias, ou seja, pensamento estratégico, transformando-as em um planejamento/execução em conjunto com as empresas.

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