Por que a dificuldade de integrar setores?

Vivemos escutando nas empresas a conversa que os diversos setores que a constituem devem formar um só corpo, trabalharem juntos para atingir um objetivo – a Visão da empresa – que afinal é um objetivo comum a todos.

Sábias palavras, mas será que na prática é assim que funciona? Será que os diversos setores da empresa trabalham mesmo integrados? Em harmonia? Com colaboração? Analisando o que acontece na realidade, acho que não é bem assim.

Na verdade, muitas empresas parecem que ainda estão na época medieval, com diversos feudos (os setores) dominados por seus senhores (os chefes) e com seus servos (os colaboradores) e cada feudo procurando atingir seus interesses, mesmo que para isso prediquem outros feudos e outros interesses.

Isso é facilitado pelo fato da maioria das empresas serem divididas em departamentos. Se por um lado isso facilita na racionalização dos trabalhos e na especialização dos colaboradores, por outro cria esse sentimento de posse, de individualidade, de que “esse departamento é meu”.

E é por isso que as atividades que exigem integração e colaboração normalmente não vão para frente, as propostas de trabalho em conjunto não progridem, criam-se comitês, comissões, grupos de estudo e depois de algum tempo tudo isso cai no esquecimento. Todos acham maravilhoso que os setores trabalhem em equipe, mas na hora do vamos ver…. é cada um para si.

E quem perde com isso? A empresa, que fica fragilizada e muito vulnerável a ataques da concorrência, reclamações dos clientes e todos os demais problemas que prejudicam sua imagem.

Como começar a solucionar esse problema? Acredito que a primeira coisa a fazer é divulgar à exaustão a cultura da empresa, e esta deve privilegiar os resultados do grupo como um todo e não os resultados departamentais. É preciso mostrar para os colaboradores que atendimento deficiente da recepcionista ou da telefonista, por exemplo, prejudicará a empresa como um todo.

É preciso que a cultura da empresa deixe claro que ou todos ganham juntos ou todos perderão também juntos. Não é possível, por exemplo, que a contabilidade ganhe atingindo todas as suas metas, enquanto outros setores da empresa estão perdendo.

Sobre isso, quero transcrever uma estória que corre na internet.  Não sei se de fato aconteceu, mas de qualquer maneira é uma estória muito inspiradora quando se fala em vencer juntos. Lá vai ela:

Há alguns anos, nas Olimpíadas Especiais de Seattle, nove participantes, todos com alguma deficiência, alinharam-se para largada da corrida dos 100 metros rasos.

Ao sinal, todos partiram, não exatamente em disparada, mas com vontade de dar o melhor de si, terminar a corrida e ganhar. Todos, com exceção de um garoto que tropeçou, caiu e começou a chorar.

Os outros oito ouviram o choro. Diminuíram o passo e olharam para trás. Então eles viraram e voltaram. Todos eles. Uma das meninas, com Síndrome de Down, ajoelhou, deu um beijo no garoto e disse: “Pronto, agora vai sarar”.

E todos os nove competidores deram os braços e andaram juntos até a linha de chegada.

O estádio inteiro levantou e os aplausos duraram muitos minutos. E as pessoas que estavam ali, naquele dia, entenderam a mensagem contida naquele gesto tão simples: o que importa nesta vida é mais do que ganhar sozinho, o que importa é ajudar os outros a vencer, mesmo que isso signifique diminuir o passo e mudar de curso.

Será que podemos usar o exemplo da estória dentro das empresas?

 

Categories: Gestão, todas

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