RECOMENDAÇÃO DE DOIS FILMES PARA PROFISSIONAIS DE R.H.
(filmes encontrados em locadoras)

Muitas vezes o cinema apresenta filmes que nos ajudam a entender com clareza o que acontece no mundo profissional e com as pessoas que vivem nesse mundo.

É o caso dos dois filmes comentados abaixo por dois críticos de cinema e que eu recomendo, principalmente para os profissionais que atuam na área de Recursos Humanos e especialmente em Recrutamento e Seleção.

O Que Você Faria? comentado por Angélica Bito

Quem nunca passou por um daqueles constrangedores processos seletivos para conseguir um emprego, provavelmente não sabe o tipo de provações os psicólogos são capazes de bolar para que um pobre coitado consiga um trabalho. Muita gente é a favor desses processos de seleção. Eu não sou uma dessas pessoas. Não gostaria de passar de novo por um processo desses, mas, assim como os protagonistas de O Que Você Faria? , encararia as “provas”, por mais malucas que sejam. Talvez pelo senso de competição.

Dirigido por Marcelo Piñeyro, o filme coloca sete pessoas completamente diferentes numa sala. Todas querem a mesma coisa: um emprego numa grande corporação e estão prontas para fazer qualquer coisa para consegui-lo.

Sempre com um imutável sorriso, a secretária Montse acompanha os candidatos. A única coisa que sabem é o nome do método de avaliação, Grönholm, cujas provas não têm muita lógica. O grande mérito de O Que Você Faria? é a direção e a dinâmica entre os atores. Não é necessário muito mais do que uma sala para que eles desempenhem a função de instigar o espectador.

O filme critica não somente a forma como as grandes empresas escolhem quem está apto a ser admitido, mas também a própria globalização e seu impacto nas sociedades latinas. Tanto que, enquanto os protagonistas disputam a vaga, a população nas ruas de Madri, onde se passa a produção, protesta contra uma reunião do G8 (Grupo de Oito), símbolo máximo do processo de globalização.

Hermético, inteligente e divertido, O Que Você Faria? não significa muito mais do que algumas horas de entretenimento contextualizado de forma esperta, cheio de questões sociais. E nem precisa significar mais.

O Drama do Desemprego em “O CORTE”, comentado por Tadeu Alvarenga.

Magnificamente dirigido por Costa-Gavras, “O Corte” (2005) – no original, “Le Couperet” – retrata, de forma absolutamente precisa e impiedosa, o impacto do Desemprego sobre a vida emocional, familiar e social de um ex-Executivo da indústria de papel, o Sr. Bruno Davert – brilhantemente interpretado pelo ator José Garcia.

O que mais impressiona em “O Corte” é como ele consegue retratar perfeitamente o drama hoje vivido por milhões de pessoas no mundo, que é o do Desemprego globalizado e desesperançado. Está tudo ali: a gradual perda da identidade e da auto-estima, a corrosão dos valores, o efeito desagregador na estrutura familiar, a preocupação em manter as “aparências” e o lento e inexorável resvalar dos personagens para a insanidade e para o desespero.

Mais ainda, ao longo do filme, por diversos momentos, somos instigados a refletir sobre questões absolutamente presentes nos dias de hoje, como, por exemplo, o fim do contrato de trabalho, a impessoalidade dos processos seletivos, e a atmosfera de altíssima competitividade reinante tanto dentro como fora das organizações modernas.

Logo nos primeiros minutos somos apresentados ao pano de fundo dentro do qual se desenrola a trama: após 15 anos de contribuições produtivas para a Empresa onde trabalhava, o personagem Bruno Davert é demitido junto com outros seiscentos funcionários durante uma reestruturação da companhia – o primeiro dos “Cortes” a que o título se refere. Após dois anos e meio de desemprego, nos quais ele cumpre, devotadamente, o ritual de enviar currículos e comparecer a entrevistas aparentemente sem-fim, ele tem uma idéia no mínimo macabra: eliminar os concorrentes com currículo tão bom ou melhor que o seu, “facilitando”, desta forma bem pouco usual, a sua contratação no cargo tão sonhado. O que acontece daí por diante é uma seqüência de acontecimentos que oscilam entre o drama e o suspense, com pitadas ocasionais de humor negro que servem apenas para aprofundar ainda mais o clima de tensão presente em todo o filme.

Trata-se de um filme que poderá, a bem da verdade, chocar alguns expectadores mais preocupados com a forma do que com o conteúdo, mas que, com toda a certeza, acrescentará em muito a todos aqueles que lidam direta ou indiretamente com Gestão de Pessoas.

Categories: Carreira, todas

Leave a Reply


*