Existe uma pesquisa realizada em todo o mundo que mede o nível de empreendedorismo em dezenas de países, e que é denominada GEM (Global Entrepreneurship Monitor).

E como está o Brasil na última pesquisa realizada, que foi em 2012? Será que somos um país de empreendedores?

A resposta é sim, porque nesse ano a pesquisa indicou que 43,5% dos brasileiros desejam ter seu próprio negócio, contra 24,7% que desejam fazer uma carreira profissional dentro de uma organização. Em números absolutos são mais de 37 milhões de pessoas que ou já possuem um negócio próprio ou estão trabalhando para isso.

Esse resultado coloca o Brasil em 4° lugar dentre 67 países em número de empreendedores. É um resultado muito significativo sem dúvida, mas que precisa ser olhado com certo cuidado.

Senão vejamos: um estudo do SEBRAE de São Paulo indica que, no estado, de cada 10 empresas que surgem 6 fecham as portas depois de 5 anos. Isso significa que somos empreendedores para a abertura de novos negócios, mas que, infelizmente, muitos não conseguem sobreviver com seu negócio próprio.

As causas disso? Principalmente a falta de planejamento para abrir o negócio e dificuldades de gerenciamento dos colaboradores.

Muitos empreendedores saem da empresa onde trabalhavam como empregados com uma verba que vem do Fundo de Garantia e de indenizações e resolvem colocar todo esse dinheiro em um negócio próprio num ramo com o qual eles simpatizam.

Quando era um funcionário da empresa, por exemplo, o pessoal todo final de semana encerrava o expediente em um barzinho, e o candidato a empreendedor achava muito legal o funcionamento de um bar. Achava que deveria ser um bom negócio, porque afinal era difícil sua turma conseguir lugar quando lá chegavam porque estava sempre cheio.

Daí, a conclusão a que ele chegou tendo nas mãos o capital proveniente de sua saída da empresa é obvia: vou montar um bar.

E monta e aplica todo o dinheiro disponível nessa empreitada. E é então que começam a surgir os problemas. Ele não fez um simples Plano de Negócios. Não sabe se um bar é realmente um bom negócio, não sabe definir para qual público ele será dirigido, não sabe se a localização escolhida é o melhor etc.

Aplicou todo o dinheiro e esqueceu que é preciso um capital de giro, porque todo aquele estoque de mercadorias adquirido não será vendido todo de uma vez no dia seguinte, mas aos poucos.

Só que os custos fixos de aluguel, energia, água e principalmente mão de obra continuam pressionando, havendo ou não receita suficiente para pagá-los.

E por falar em mão de obra esse é outro problema. O novo empreendedor tem dificuldade em gerenciar, muitas vezes ele não estava preparado para o papel de gestor. Na empresa em que trabalhava ele não ocupava essa posição ou então, se era um gestor, tinha a seu dispor ajuda dos diversos setores que o auxiliavam na contratação de pessoal, na compra de equipamentos e matéria prima etc. Agora é ele e só.

Resultado de tudo isso é o que mostra o estudo do SEBRAE. Depois de algum tempo ele simplesmente fecha as portas e a empresa desaparece do mercado.

Para evitar isso é preciso que ele se prepare, tanto na parte de gestão do negócio quanto na gestão das pessoas.

Para o primeiro caso, o próprio SEBRAE citado aqui tem programas para preparação de novos empreendedores. Para o segundo, várias instituições oferecem cursos de preparação ou atualização de gestores.

O que não é possível é que o novo empreendedor tenha tanta fé assim no imponderável, pensando que tudo dará certo se Deus ajudar, se o cliente vier ou se não chover que não avalie as possibilidades do seu negócio dar certo.

Categories: Carreira, Gestão, todas

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