VIVER COM SIMPLICIDADE

Por Luiz Eduardo Gasparetto

Lembra dos produtos de antigamente? Se você é muito jovem pergunte a seus pais ou avós como eles eram no quesito durabilidade. Com certeza eles lhe dirão que eram muito, mas muito mais duráveis. Duravam às vezes 20, 30 ou 40 anos ou até mais.

Quando você vai a uma feira de antiguidades, por exemplo, você ainda encontra uma grande quantidade de rádios, telefones, relógios e uma série de outros bens que até parecem novos e muitos deles ainda funcionam.

Agora imagine uma feira de antiquidades daqui 30 ou 40 anos: quantos relógios fabricados hoje você acha que encontrará lá? E telefones celulares? E máquinas fotográficas? Garanto que serão pouquíssimas peças. Se elas não forem guardadas em um museu ninguem nem mesmo saberá como elas eram.

E por que isso? Porque elas já são fabricadas para não durar, para que os consumidores estejam sempre comprando, consumindo. E as propagandas estão sempre nos lembrando que não temos o celular mais moderno ou a tv de 3D mais moderna ou o carro mais moderno e que por isso estamos “fora de moda”. E em resposta a isso nós saímos alucinados para consumir.

Com isso temos que trabalhar mais para ganhar mais para comprar coisas que não preciso para substituir aqueles bens que já não servem mais.

Mas quem foi que disse que para ser feliz precisamos de determinados objetos? Quem disse que preciso de um celular que tem mais de 50 funções e que fotografa, filma, manda mensagens, consulta a internet e até faz ligações para outros telefones (incrível não é mesmo) quando só uso umas 3 ou 4 das funções disponíveis e olhe lá? Quem disse que preciso de uma tv em três dimensões para ver uma programação cada vez mais desinteressante, repetitiva e sem conteúdo?

Na verdade o que precisamos é voltar a uma vida que seja vivida de maneira mais simples e aproveitar melhor o tempo que temos à disposição para conviver com a família, amigos, lazer e outras coisas que, essas sim, são importantes em nossa vida. O segredo para isso é tirar coisas inúteis de nossa vida e não acrescentar mais coisas.

É bom lembrar que viver com simplicidade não significa necessariamente só ter coisas baratas ou recicladas, mas sim ter uma preocupação com a durabilidade das coisas, com sua utilidade e com sua beleza, independente de “estar na moda” ou não.

E isso não é uma coisa muito difícil de fazer. Basta, por exemplo, ser mais crítico diante das ofertas “imperdíveis” que a propaganda nos mostra todos os dias perguntando se, realmente, precisamos muito daquele produto. Ou então reduzir as compras por impulso, pensando pelo menos um mês antes de comprar algum bem durável. Ou então comprando alguma coisa pela utilidade que ele terá para nós e não pelo status que nos dá ou então para impressionar outras pessoas.

É preciso valorizar o SER e não o TER, não esquecendo que possuir aquilo que desejamos pode ser riqueza, mas saber viver sem isso é poder.

Como disse o filósofo grego Sócrates em um de seus passeios por uma feira de Atenas quando perguntado por um vendedor se desejava alguma coisa: “na verdade estou apenas olhando quantas coisas eu não preciso para ser feliz”.

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